
Inovação em compras: o guia completo para transformar eficiência, governança e estratégia na sua empresa
Tempo de Leitura: 8 min.
A inovação em compras deixou definitivamente de ser um tema periférico para se tornar um eixo central na estratégia de competitividade das empresas industriais. Em um mercado B2B cada vez mais pressionado por custos, complexidade operacional, dependência de fornecedores e exigências regulatórias, evoluir processos de aquisição não é apenas desejável — é decisivo.
Os debates mais recentes da cadeia de suprimentos reforçam que o futuro da área passa por três pilares fundamentais: tecnologia, dados e colaboração. A transcrição que serve de base para este artigo revela exatamente isso: líderes de diferentes organizações, com visões complementares, trouxeram uma leitura profunda sobre como a digitalização, a automação e principalmente os modelos comunitários de informação estão redefinindo o papel da área de compras.
Ao longo deste artigo, exploraremos de forma estruturada e detalhada:
O que caracteriza a inovação em compras no contexto atual
Por que o mercado B2B brasileiro ainda tem enorme espaço de evolução
Como soluções tecnológicas, dados mestres confiáveis e automação estão mudando a dinâmica entre empresas e fornecedores
O papel fundamental da comunidade de informação e do Golden Code, iniciativa da CH | Astrein
Barreiras práticas enfrentadas pelas empresas e como superá-las
Como desenvolver fornecedores e elevar padrões de sustentabilidade, compliance e performance
Insights diretos fornecidos pelos especialistas do webinar, traduzidos em recomendações acionáveis
Este guia não é teórico. Ele nasce da prática — da vivência de empresas, consultorias, especialistas e líderes que vivem as dores e oportunidades desse mercado.
O objetivo é claro: oferecer um panorama completo, técnico e aplicável para que a inovação em compras avance de forma consistente dentro da sua organização.
O que é inovação em compras?
A inovação em compras é a capacidade de transformar processos tradicionais de aquisição em operações inteligentes, automatizadas, estratégicas e baseadas em dados.
Segundo os debatedores do webinar, isso significa:
Reduzir atividades manuais e substituí-las por fluxos automatizados.
Elevar o papel estratégico da área, permitindo que compradores atuem com análise, negociação e planejamento — e não com tarefas operacionais.
Garantir dados mestres de alta qualidade, eliminando retrabalho, erros de especificação e compras equivocadas.
Criar uma relação mais equilibrada entre empresas e fornecedores, reduzindo dependência do lado vendedor na definição de preços e condições.
Construir uma visão colaborativa, onde empresas compartilham informações, classificações e aprendizados.
Promover previsibilidade e segurança, reduzindo riscos de supply chain, financeiros, regulatórios e reputacionais.
A inovação em compras, portanto, não é o uso isolado de ferramentas. É um modelo mental, operacional e tecnológico que reorganiza como empresas compram, interagem com fornecedores e governam dados.
Por que a inovação em compras é tão necessária no Brasil?
O debate trouxe um dado contundente: embora o mercado B2B brasileiro movimente aproximadamente R$ 2,4 trilhões, apenas 2,5% desse volume ocorre através de plataformas digitais.
Para comparar:
Estados Unidos: 14%
Japão: 31,7%
Ou seja, o Brasil opera muito abaixo do seu potencial de digitalização e automação.
Esse cenário gera consequências diretas:
Vícios de processos manuais persistem
Erros recorrentes em especificações e pedidos
Lentidão na homologação de fornecedores
Baixa previsibilidade de preços
Falta de integração entre áreas internas e externas
Falta de padronização entre empresas que compram os mesmos itens
Dependência de fornecedores na definição de reajustes
Elevado custo de ineficiência operacional
A inovação em compras surge como o único caminho consistente para reduzir esse gap entre o Brasil e mercados internacionais mais maduros.
A importância dos dados mestres na inovação em compras
Nenhuma iniciativa de transformação digital funciona sem dados corretos. Isso foi reforçado repetidamente por todos os debatedores, especialmente por Tadeu Avelar, da CH | Astrein.
Ele descreveu uma cena comum para qualquer comprador:
Chega uma requisição com descrição incompleta ou incorreta.
O comprador precisa “adivinhar” ou buscar informações com o requisitante.
O requisitante pede para “mandar por e-mail porque não está na sala”.
O fornecedor interpreta a descrição do seu jeito — e entrega errado.
O item não encaixa no equipamento, causando prejuízo ou parada de linha.
Esse ciclo é a antítese da inovação em compras.
A base de tudo está em três elementos:
1. Padronização
Sem padrão, não há automação. Cada fornecedor interpreta de um jeito, cada área requisita de outro.
2. Enriquecimento
Dados precisam ser completos, técnicos e alinhados com o que realmente importa para operação, manutenção, engenharia e compras.
3. Validação
A informação precisa ser auditável e confiável. É o que permite rastreabilidade, compliance e transparência.
A CH | Astrein construiu sua história justamente em cima disso, sendo pioneira global no desenvolvimento de sistemas de gestão de cadastro de materiais e serviços desde 1991.
Hoje, consolida essa visão através da comunidade de dados mestres, onde dezenas de grandes empresas compartilham informações padronizadas, evitando retrabalho e inconsistências.
Golden Code: a inovação que está redesenhando a cadeia de suprimentos
Entre os pontos mais fortes da discussão está o modelo do Golden Code, iniciativa da CH | Astrein que representa um salto significativo para a inovação em compras no Brasil.
O que é o Golden Code?
É um código único criado pela CH | Astrein que:
Conecta empresas diferentes ao mesmo item
Garante uma descrição única, padronizada e certificada (Golden Record)
Permite atualização automática entre empresas
Integra fabricantes e fornecedores
Facilita compras, cotações e análises de categoria
Reduz exponencialmente erros e ambiguidades
Atualmente, a base conta com:
3,5 milhões de Golden Records ativos
Itens compartilhados entre mais de 100 grandes empresas
Fabricantes e fornecedores ligados ao mesmo código
Histórico e parametrizações integradas
Para o comprador, isso significa:
Receber especificações já padronizadas
Saber automaticamente quais fornecedores atendem cada item
Enviar cotações utilizando códigos do próprio fornecedor
Eliminar divergências de descrição entre empresas
Potencializar automações e integrações com outras plataformas
O Golden Code cria uma verdadeira infraestrutura de informação compartilhada, permitindo que toda a cadeia opere com mais segurança e eficiência.
Inovação em compras e inteligência de mercado
A área de compras, historicamente, sempre sofreu com um problema estrutural:
Quem decide o momento da negociação é o fornecedor.
Quando ele envia uma solicitação de reajuste, o comprador é jogado na defensiva:
Abre concorrência às pressas
Gasta energia apenas para comprovar preço
Reage em vez de agir
A inovação em compras busca inverter essa lógica.
Gabriel Aleixo apresentou como plataformas de inteligência de mercado estão permitindo:
Acompanhamento da variação de preços de categorias estratégicas
Priorização de concorrências com base em dados externos
Redução de dependência de pleitos apresentados pelos fornecedores
Capacidade de prever movimentos de mercado
Análises combinadas entre histórico interno e indicadores externos
Com isso, compradores passam a:
Atuar de forma proativa, decidindo quando negociar
Direcionar gestores internos para projetos de saving baseados em evidências
Ter suporte de dados para negociar com mais firmeza
Planejar budgets com maior precisão
Essa é uma das dimensões mais claras da inovação em compras: inteligência aplicada de maneira prática e mensurável.
Automatização de homologação e gestão de risco
Outro ponto crítico da cadeia de suprimentos é o onboarding e monitoramento contínuo de fornecedores.
Processos tradicionais geram:
Longos ciclos de aprovação
Dificuldade de inserção de novos fornecedores
Desmotivação de áreas internas em buscar alternativas
Riscos jurídicos e reputacionais
Desalinhamento entre criticidade e profundidade de análise
Necessidade de inúmeras etapas e documentos
A inovação em compras exige sistemas que:
Reduzem o tempo de homologação em até 90%
Classificam fornecedores por criticidade e categoria
Automatizam análises financeiras, administrativas e de compliance
Geram alertas contínuos e não eventuais
Padronizam questionários de sustentabilidade e integridade
Além da automação, o aspecto mais citado foi:
É preciso tratar fornecedores diferentes de forma diferente.
Não faz sentido exigir o mesmo nível de documentação de:
Um fornecedor crítico de mão de obra
Um fornecedor transacional de baixo valor
Um fabricante estratégico internacional
Um fornecedor local de itens sob demanda
A inovação em compras passa pelo ajuste fino da gestão de risco, garantindo robustez sem burocracia excessiva.
Comunidade de compras: o futuro inevitável do B2B
Os debatedores foram categóricos: o modelo individualizado de gestão de fornecedores, materiais e homologação está com os dias contados.
A inovação em compras está migrando para um modelo de comunidade.
Por quê?
As empresas analisam os mesmos fornecedores
Os fornecedores respondem aos mesmos questionários
As descrições de materiais se repetem em diferentes organizações
As dores são praticamente idênticas
O custo de duplicidade é enorme
O tempo gasto com retrabalho não se sustenta
O Golden Code e a plataforma colaborativa da CH | Astrein são exemplos dessa migração.
Além disso, o modelo comunitário permite:
Benchmarking automático
Padronização de critérios técnicos
Desenvolvimento coletivo de fornecedores
Uniformização de práticas de compliance e sustentabilidade
Crescimento estruturado de toda a cadeia
Em vez de cada empresa reinventar o processo de compras, o mercado evolui como um sistema.
Compras conjuntas e permutas: quando inovação vira impacto financeiro real
Dois cases apresentados pela CH | Astrein mostram como a inovação em compras não é conceitual — é prática e mensurável.
1. Compras conjuntas (joia)
Com o Golden Code, diferentes empresas conseguem comprar os mesmos itens de forma padronizada e negociada em conjunto.
Resultados apresentados:
Compra conjunta de rolamentos: R$ 36 milhões
Compra conjunta de materiais elétricos: R$ 140 milhões
Participação de 10 a 14 empresas por rodada
Melhor poder de negociação para todos
Fornecedor recebe volume consolidado e especificações padronizadas
O efeito é claro: economia, eficiência e escala.
2. Surplus (permuta de materiais entre empresas)
Toda indústria possui estoques obsoletos, excessos ou itens descontinuados.
A plataforma Surplus permite:
Permuta a custo médio de estoque
Sem descaracterizar materiais como sucata
Sem perdas financeiras
Com rastreabilidade entre empresas
Atualmente, já há mais de R$ 320 milhões em materiais sendo permutados entre clientes da CH | Astrein.
Esse modelo representa uma das maiores inovações em compras dos últimos anos.
Desenvolvimento de fornecedores como responsabilidade estratégica
A inovação em compras não pode acontecer apenas “dentro das empresas”. Ela precisa incorporar o lado fornecedor.
Os especialistas reforçaram:
Cada solicitação feita ao fornecedor envia um sinal sobre o que é importante
Processos claros e padronizados elevam o nível de maturidade do mercado
Fornecedores pequenos podem evoluir rapidamente quando orientados
Sustentabilidade, compliance e performance precisam ser tratados como roadmap
Empresas grandes têm responsabilidade no aprimoramento contínuo do ecossistema
A inovação em compras também é inovação no mercado fornecedor.
E isso exige:
Comunicação clara
Critérios proporcionais ao nível de criticidade
Padronização de documentos
Feedback contínuo
Prioridade no desenvolvimento da cadeia
Como sintetizou um dos debatedores: “O que pedimos ao fornecedor vira a direção para onde ele vai evoluir.”
Os maiores desafios para implementar inovação em compras
A transcrição deixa explícito que várias barreiras impedem a evolução da área:
1. Falta de qualidade dos dados
Sem dados mestres confiáveis, nenhum sistema digital funciona plenamente.
2. Processos manuais enraizados
E-mails, planilhas, ligações e descrições desconexas ainda são comuns.
3. Resistência de fornecedores
Fornecedores transacionais ou de curva C tendem a priorizar outras demandas.
4. Falta de segmentação correta
Exigir o mesmo nível de documentação para fornecedores críticos e não críticos é um erro clássico.
5. Ausência de comunicação clara
Muitos fornecedores deixam de enviar documentos porque não entendem o benefício.
6. Mitos e percepções equivocadas
Ex.: “Se o fornecedor tem má saúde financeira, não devo comprar”. Os especialistas reforçam que há exceções importantes.
7. Cultura de compras ainda reativa
A área muitas vezes responde a pleitos, em vez de antecipar movimentos.
Erros comuns ao lidar com inovação em compras
Com base no que foi discutido no webinar, destacam-se:
Implementar tecnologia sem organizar a base de materiais
Tentar reinventar metodologias consagradas (como classificação ou PDM)
Aplicar questionários de sustentabilidade diferentes para cada fornecedor
Desejar automação sem padronização
Tratar fornecedores como uma entidade única, e não como pessoas
Sublinhar riscos sem considerar contextos
Exigir dados demais de fornecedores de baixo impacto
Não utilizar a comunidade e fazer retrabalho desnecessário
Ferramentas e práticas recomendadas
Com base na transcrição, a inovação em compras depende de um conjunto de elementos:
1. Golden Code (CH | Astrein)
Infraestrutura única para padronização, automação e integração.
2. Inteligência de mercado
Indicadores preditivos, análises de categoria e monitoramento de preços.
3. Automação de homologação
Redução de burocracia e análise proporcional à criticidade.
4. Plataformas comunitárias
Compartilhamento de dados, histórico, avaliações e fornecedores.
5. Compras conjuntas
Escala, poder de negociação e eficiência coletiva.
6. Permuta (Surplus)
Liquidez para estoques e redução de custos.
7. Desenvolvimento de fornecedores
Elevação do nível técnico, financeiro e operacional da cadeia.
Conclusão
A inovação em compras já não é uma agenda opcional. Ela é o diferencial competitivo que determinará quais empresas conseguirão operar com eficiência, segurança e previsibilidade no mercado B2B brasileiro.
A combinação de:
Dados mestres padronizados
Plataformas inteligentes
Modelos comunitários
Desenvolvimento estruturado de fornecedores
Análises preditivas
Automação de ponta a ponta
representa um novo patamar de maturidade na cadeia de suprimentos.
A CH | Astrein, com o Golden Code, a comunidade de dados e iniciativas como compras conjuntas e permuta, mostra que inovação real acontece quando empresas conseguem compartilhar informação, reduzir retrabalho e construir uma base comum de conhecimento.
Para empresas industriais, o futuro da área de compras dependerá da capacidade de transformar dados em decisões, eliminar ruídos operacionais e fortalecer sua cadeia como um todo.
A inovação em compras será, cada vez mais, a base da performance empresarial.
Próximo Passo
Se a sua empresa busca maturidade operacional, redução de custos, automação e previsibilidade, comece pela base: dados mestres estruturados, padronizados e confiáveis.
A inovação em compras começa na informação — e evolui para toda a cadeia.
Dica bônus
Antes de investir em qualquer nova tecnologia de compras, faça uma auditoria interna de dados mestres. Muitas iniciativas falham não pela ferramenta — mas pela inconsistência da base que a alimenta.


