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De um livro sobre computadores à maior empresa de Gestão de Dados Mestres da América Latina: a história de Tadeu Avellar

De um livro sobre computadores à maior empresa de Gestão de Dados Mestres da América Latina: a história de Tadeu Avellar

Tempo de Leitura: 15 min.

Em 1996, Tadeu Avellar fundou a CH com uma missão que o mercado ainda não sabia que precisava. Conheça a história de persistência, propósito e inovação que está por trás dos 30 anos da CH Master Data Astrein.


O livro que mudou tudo

Tadeu Avellar deveria ser engenheiro civil.

Era o que o destino parecia ter decidido. Seu pai, Josino, construía estradas pelo Brasil todo. Tadeu cresceu acompanhando aquele homem de perto, admirando os tratores enfileirados, o cheiro de terra, a sensação de que se estava construindo algo maior do que qualquer um sozinho poderia fazer.

Mas numa das férias de verão em Belo Horizonte, visitando a avó, o pai colocou nas mãos do filho um livro. O assunto: computadores. Tadeu lembra da capa até hoje. E lembra, com precisão absoluta, do exato momento em que virou a primeira página e sentiu que havia encontrado alguma coisa.

A conversa com o pai veio logo depois. Aquela conversa que todo filho teme: a de dizer que vai contra o que o pai sempre sonhou. Tadeu chegou morrendo de medo. E saiu com o maior apoio que poderia ter recebido.


Quando não existia o curso que você queria fazer

No final dos anos 1970, quando Tadeu fez o vestibular, simplesmente não existia graduação em informática no Brasil. O caminho mais próximo era cursar Economia, para conseguir fazer o curso de extensão em Informática pela PUC RJ, reconhecido como um dos melhores do país, com professores vindos da IBM.

Tadeu entrou por lá. E saiu com o primeiro estágio.

Passou rapidamente por uma empresa de táxi aéreo, durou uma semana, o patrão francês era grosso demais, e foi parar na Conpart Consultoria, uma empresa de consultoria e desenvolvimento de software para o mercado financeiro. Começou como programador. Evoluiu para analista de sistemas. 

A Conpart Consultoria também tinha uma divisão industrial: a Conpart Indústria Eletrônica, que fabricava unidades de fita magnética numa época de reserva de mercado, quando importar era proibido. Um dia, o gerente chamou Tadeu e um amigo e disse que um deles precisaria ir para a área industrial. Os dois queriam ficar no financeiro. O gerente deixou escolherem.

Tadeu topou o desafio.


O mentor e o MRP que rodava em 2 horas

Na Conpart Indústria Eletrônica, Tadeu encontrou o Pegado, diretor da empresa, ex-diretor da COBRA, um homem de mente brilhante que seria, nas próprias palavras de Tadeu, o responsável por ensinar o básico que ele carrega até hoje.

O problema na mesa era sério: o sistema de MRP da fábrica, aquele que calculava o que produzir, o que comprar e em quais quantidades, demorava dois dias inteiros para rodar. Depois de rodar, precisava ser reajustado. No total, a empresa perdia dez dias úteis por mês só nesse processo.

Tadeu, ainda jovem, ouviu a conversa e disse que dava para resolver. O gerente achou impossível. O Pegado apostou no Tadeu.

Os dois passaram meses trabalhando juntos. O Pegado arrumou uma sala ao lado da sua, aparecia sempre que podia, desenhava no quadro, ensinava. Tadeu codificava. O resultado foi um sistema que rodava em duas horas e gerava relatórios completos por comprador, por fornecedor, por preço. Foi tão bem recebido que Tadeu foi promovido a gerente de TI.

A escola que ele recebeu naquele período moldou tudo o que viria depois.


O Collor chegou e o mundo mudou

Em 1991, o presidente Fernando Collor acabou com a reserva de mercado. Importar passou a ser permitido e mais barato do que fabricar no Brasil. A indústria começou a desabar.

Tadeu viu o que estava por vir. E tomou uma decisão que poucos teriam coragem de tomar: não procurar emprego.

Foi para casa, olhou para a esposa, e disse que ia montar uma empresa de consultoria. Ela apoiou.

Com amigos que também ficaram sem trabalho quando a Digiponto, fabricante de teclados da época, encerrou as atividades, Tadeu fundou a Octopus em 1991. Em seis meses, os oito sócios iniciais viraram três. Depois dois. Depois um.

Um dos sócios foi embora pela música. O outro sumiu por mais de duas semanas sem dar notícias, em uma época em que celular ainda era raridade. Quando voltou, Tadeu encerrou a sociedade. Saiu sem dinheiro, entregou seu computador pessoal para quitar uma dívida pequena da empresa e ficou literalmente sem a sua principal ferramenta de trabalho.

Pediu emprestado o computador do pai. E continuou.


O problema que não existia no mundo e a solução que nasceu no Brasil

Nesse mesmo período, Tadeu foi apresentado ao consultor César Sucupira, um ex-diretor da Gillette que havia trazido o conceito de MRD para o Brasil e tinha uma carteira sólida de grandes clientes.

César estava fazendo um trabalho na Brahma, que havia acabado de ser adquirida pelo Grupo Garantia. O cenário era caótico: mais de 120 mil itens em estoque, 43 fábricas, mais de 100 compradores e um problema de cadastro sem solução à vista. A Brahma tinha procurado no mundo inteiro um sistema para gerir dados de materiais. César havia ido pessoalmente até a feira de Hanover, na Alemanha. Nada.

Foi então que ele olhou para Tadeu e propôs: e se a gente construísse?

A Brahma topou. Em 1992, a equipe da Octopus, o time da César Sucupira e profissionais da própria Brahma passaram meses sentados numa mesma mesa, desenhando do zero o que seria um sistema inédito de gestão de dados mestres. Os PDMs, os fluxos, os critérios para evitar duplicidade e similaridade.

Em 1993, a Brahma havia recadastrado tudo. De 120 mil itens, chegou a 43 mil. Uma redução de mais de 60%. O projeto foi um sucesso tão grande que a Brahma é cliente da CH até hoje.

Ali, naquela mesa, nasceu o que se tornaria a espinha dorsal da CH.


O período mais difícil e o mais importante

Vender o software foi outra história.

Tadeu oferecia a solução por US$ 14.500. As empresas ouviam, achavam interessante porém não tinham quem implantasse, quem fizesse os PDMs, quem operasse o sistema. Sem cliente, sem sócio, sem empresa formalmente constituída, Tadeu trabalhava do lado da cama, num apartamento com três filhos, a sogra morando junto e a esposa operando uma confecção na cozinha.

O cheiro de tinta de serigrafia tomava a casa. Ele chegava tarde e ainda ajudava a silkar camisetas até a madrugada.

Quando o dinheiro não foi suficiente para pagar a escola das filhas, buscou uma saída com dignidade: virou professor substituto. Trabalhava duas manhãs por semana, recebia R$ 350 mensais e as filhas estudavam com bolsa integral. Ele sofria com cada segunda-feira. Mas não parou.


O nome que virou empresa

A virada veio com Zé Guilherme Lima, diretor da Alcoa, que acompanhava o trabalho de Tadeu há meses com crescente entusiasmo.

Quando a negociação chegou perto do fechamento, havia um detalhe: Tadeu não tinha mais empresa. Para emitir nota para uma multinacional, pediu ao amigo Luiz Alberto que usasse a empresa dele, a Carvalho Horta Sistemas e Consultoria. Nas propostas, Tadeu abreviava: CH Consultoria.

E foi assim que passou a ser conhecido no mercado. Tadeu da CH.

Quando o contrato foi aprovado, correu para abrir uma empresa que começasse com as letras CH. Escolheu o nome Consultores Habilis e a CH estava fundada. Era 1996.

O primeiro projeto foi implantado com a ajuda de Miriam, que vinha da equipe original da Octopus. A Accenture, que também trabalhava na Alcoa, viu a qualidade do trabalho e começou a indicar a CH. Primeiro para a Multibrás, hoje Whirlpool. Depois para a Sadia, hoje BRF.

A partir disso, tudo foi evoluindo.


Construindo a comunidade

Com a chegada da internet e os primeiros contratos consolidados, Tadeu investiu quatro anos desenvolvendo o Webformat, a plataforma que permitia que diferentes clientes consultassem o mesmo catálogo e compartilhassem os mesmos PDMs. A lógica era simples e revolucionária: se dois clientes tinham o mesmo item, por que cada um precisaria construir essa informação do zero?

Em 2001, o Webformat ficou pronto. E a TBG se tornou o primeiro cliente da comunidade colaborativa, modelo que é até hoje o maior diferencial da CH no mercado.


30 anos depois

Quando Tadeu conta essa história, ele faz questão de um ponto: não fez sozinho. A persistência foi dele, o propósito era seu, mas o caminho foi construído com pessoas. Com o pai que emprestou o computador. Com a esposa que trabalhou tanto quanto ele, ou mais. Com o Pegado, que ensinou no quadro. Com os clientes que confiaram antes de qualquer garantia.

E com um princípio que ele nunca abriu mão: fazer as coisas certas. Mesmo quando o caminho errado parecia mais fácil.

Trinta anos depois, a CH Master Data Astrein é a maior empresa de Gestão de Dados Mestres da América Latina. Com mais de 250 clientes ativos, 98% de taxa de retenção histórica e mais de R$ 10 bilhões em economia gerada para seus clientes ao longo das décadas.


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