top of page
A história da Astrein: de empresa de treinamento industrial à referência nacional em gestão de dados de manutenção

A história da Astrein: de empresa de treinamento industrial à referência nacional em gestão de dados de manutenção

Tempo de Leitura: 15 min.

Fundada em 1978 por profissionais da indústria, a Astrein percorreu um caminho único: do treinamento de técnicos de manutenção ao software que se tornou líder nacional, com 40% do mercado e mais de 300 clientes em todo o Brasil.


Um problema que ninguém queria resolver

No final dos anos 1970, as grandes indústrias brasileiras operavam com um paradoxo silencioso: investiam pesado em máquinas e equipamentos, mas quase nada em cuidar deles. Manutenção preventiva era um conceito novo, quase desconhecido. O modelo vigente era simples e custoso: a máquina quebrava, chamava o técnico, consertava. E repetia.

Quem vivia dentro desse ambiente sabia o quanto aquilo custava. Paradas de produção, peças erradas no almoxarifado, equipamentos deteriorando antes da hora. O problema era evidente. Mas não havia quem ensinasse a fazer diferente.

Foi para resolver exatamente isso que um grupo de profissionais oriundos da própria indústria fundou, em 1978, a Astrein: Assessoria e Treinamento Industrial.


Ensinar antes de automatizar

A Astrein não nasceu como empresa de tecnologia. Nasceu como escola.

Seus fundadores tinham vivência de chão de fábrica e sabiam que o maior obstáculo da manutenção preventiva no Brasil não era tecnológico. Era humano. Faltavam técnicos preparados, eletricistas e mecânicos que entendessem os novos métodos que começavam a se estabelecer nas petroquímicas, nas siderúrgicas e nas grandes indústrias do país.

A resposta foi direta: cursos técnicos com conteúdo eminentemente prático, voltados à formação de profissionais especializados em manutenção. Com o tempo, esses cursos evoluíram para cobrir a organização completa de departamentos de manutenção, incluindo planejamento, controle, manutenção preventiva, TPM e MBC.

A Astrein formava as pessoas. E ao formar as pessoas, passou a entender como ninguém os problemas que elas enfrentavam no dia a dia das fábricas.


O salto: quando o treinamento virou software

Em 1984, a Astrein tomou uma decisão que mudaria sua história para sempre.

Mantendo contato constante com profissionais de manutenção em congressos e seminários nacionais e internacionais, a empresa enxergou uma demanda que crescia junto com a informatização das indústrias: as fábricas queriam parar de gerenciar seus planos de manutenção com fichários e pastas. Queriam usar computadores.

A Astrein construiu o SIM, o Sistema Informatizado de Manutenção, primeiro software nacional desenvolvido para microcomputadores voltado ao gerenciamento completo de um departamento de manutenção moderno. Cadastro de máquinas, planos de manutenção preventiva, listas de sobressalentes, histórico de intervenções, tudo em um único sistema.

A Indústrias Villares, de Araraquara, interior de São Paulo, foi a primeira empresa do Brasil a utilizar o SIM. A primeira versão foi instalada em dez empresas. O mercado estava sedento por essa solução.


Marcelo entra em cena

Quando Marcelo Ávila Fernandes ainda cursava engenharia de produção mecânica na USP de São Carlos, fez um estágio em São Paulo que o colocou em contato com a Astrein pela primeira vez. O ambiente da manutenção industrial, os desafios técnicos, a ideia de estruturar algo que ainda não existia de forma organizada no Brasil, tudo aquilo ficou guardado.

Anos mais tarde, já trabalhando com desenvolvimento de software em uma fábrica de microcomputadores, Marcelo foi procurado por um dos sócios da Astrein, que se lembrava dele do período do estágio. A empresa precisava de alguém para abrir uma área de desenvolvimento de software. As indústrias pediam mais. O SIM precisava crescer.

Em 1988, Marcelo entrou para a Astrein. E naquele mesmo ano, nasceu a Astrein Informática, spin-off criada especificamente para cuidar do desenvolvimento e da comercialização dos produtos de software da empresa.

A divisão de trabalho ficou clara: a Astrein Treinamentos cuidava dos cursos e da consultoria. A Astrein Informática cuidava da tecnologia.


Crescendo junto com o mercado

O SIM não parou de evoluir. A cada versão, novas funcionalidades respondiam às demandas reais de quem usava o sistema no dia a dia das fábricas.

Em 1989, o SIM 3.0 em Clipper Summer tornou o sistema mais rápido e fácil de operar. Em 1991, o SIM 4.0 passou a rodar em redes de microcomputadores, o que abriu as portas para implantações em empresas maiores e com múltiplos usuários simultâneos. Em 1997, o SIM 5.0 chegou ao Windows, acompanhando a virada tecnológica que transformou a forma como as empresas trabalhavam com computadores no Brasil inteiro.

Nesse mesmo período, a Astrein expandiu sua atuação internacionalmente. Em 1988, uma unidade de serviços foi instalada em Portugal, e um dos sócios se radicou na Europa para cuidar exclusivamente das vendas por lá. A experiência europeia foi absorvida e trouxe de volta referências que alimentaram o desenvolvimento dos produtos no Brasil.

No país, o portfólio de clientes foi crescendo com consistência: Refinações de Milho Brasil, que mais tarde se tornaria Corn Products e hoje é a Ingredion, Chiclete Adams e Syngenta estavam entre os primeiros a adotar os produtos da Astrein. Grupos como Votorantim e Itaú, nas suas fábricas de cimento, além de Philips Walita e Vilares, também faziam parte da carteira. Cada implantação ensinava algo novo. Cada cliente exigia mais.

A Astrein participava de todos os grandes eventos da área: Congresso Brasileiro de Manutenção, Seminário Mineiro de Manutenção, encontros regionais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Estava presente onde a manutenção industrial brasileira estava se construindo.


Um novo problema surge no almoxarifado

Conforme o SIM amadurecia e a Astrein se aprofundava na realidade das fábricas, uma verdade incômoda ficou cada vez mais evidente.

O maior problema da manutenção não era técnico. Não era o conhecimento dos profissionais. Não era a falta de planejamento. Era a peça errada no momento errado.

Almoxarifados cheios de itens mal descritos, duplicados, sem padronização. Um parafuso com dez nomes diferentes. Uma válvula que ninguém sabia ao certo qual equipamento ela servia. Compras erradas gerando estoques inchados e paradas de produção que poderiam ter sido evitadas.

A Astrein começou a incorporar no SIM funcionalidades ligadas ao processo de suprimentos da manutenção. Depois desenvolveu um módulo específico para análise de falhas de máquinas, que conectava o estudo da falha ao tipo de peça necessária e ao plano de manutenção que deveria ser atualizado.

E desse trabalho nasceu uma percepção que abriu uma nova frente de negócio completamente: o problema não era só gerenciar a manutenção. Era gerenciar os dados dos materiais aplicados aos equipamentos. Era garantir que cada peça tivesse uma descrição única, completa e padronizada, que qualquer comprador pudesse entender sem margem para erro.


O Engmat e a Engenharia de Materiais

Em 2005, a Astrein lançou no Congresso Brasileiro de Manutenção o Engmat, software desenvolvido especificamente para o cadastro e padronização de peças industriais.

A lógica por trás do produto era simples e poderosa. Cada vez que a equipe da Astrein organizava um almoxarifado, precisava estudar cada tipo de peça: quais eram as informações mínimas necessárias para descrevê-la sem ambiguidade? Que atributos eram indispensáveis para uma lâmpada? Para um rolamento? Para uma válvula?

Esse conhecimento foi sendo acumulado e formalizado através de padrões de descrição. O Engmat era o repositório de todo esse aprendizado: uma biblioteca de padrões construída ao longo de anos de trabalho em campo, que permitia que qualquer almoxarifado fosse organizado com muito mais velocidade e precisão.

Com o Engmat, a Astrein passou a atuar em duas frentes complementares: gestão de manutenção, com o SIM, e engenharia de materiais, com o Engmat. Uma empresa que havia começado ensinando pessoas a cuidar de máquinas agora também ensinava empresas a cuidar dos dados dessas máquinas.


A década de crescimento acelerado

No início dos anos 2000, a Astrein obteve financiamento junto ao BNDES por meio da linha ProSoft, programa voltado ao fortalecimento de empresas nacionais de tecnologia. Esse investimento impulsionou a evolução dos produtos, viabilizou a internacionalização dos sistemas com suporte a múltiplos idiomas e estruturou de forma mais robusta as áreas de marketing e vendas. Foi nesse contexto de expansão, em 2005, que a empresa convidou Alexandre Siqueira a integrar o quadro societário, com a missão de acelerar o crescimento comercial e consolidar a estratégia de mercado que começava a ganhar escala.

O resultado foi expressivo: entre 2002 e 2008, a Astrein cresceu dez vezes em tamanho, consolidando uma trajetória de expansão consistente. Nesse período, Marcelo realizou a transição definitiva de desenvolvedor e analista técnico para empresário, passando a dominar temas como gestão financeira, liderança de múltiplas equipes, relação entre investimento e retorno e, principalmente, a visão da Astrein não apenas como produto, mas como negócio. Como consequência dessa evolução, a empresa ultrapassou a marca de 300 clientes ativos e conquistou cerca de 40% do mercado nacional de software para manutenção, uma posição construída ao longo de duas décadas, cliente a cliente, fábrica a fábrica.


O que fez a Astrein durar

Ao longo de sua trajetória, a Astrein atravessou — e superou — praticamente todos os ciclos de instabilidade da economia brasileira: do Plano Cruzado, em 1986, ao confisco do Collor, em 1990, passando por décadas marcadas por volatilidade e incerteza.

A resiliência da empresa não foi por acaso. Ela se sustentou em um modelo sólido de diversificação setorial. Atuando simultaneamente em segmentos como cimento, alimentos, energia, petroquímica e linha branca, a Astrein reduziu sua exposição a riscos específicos. Quando um setor desacelerava, outro mantinha a demanda ativa — e, independentemente do cenário, a necessidade de manter operações industriais funcionando nunca deixou de existir.

Mas a longevidade da Astrein vai além da diversificação. Existe um princípio fundamental que guiou sua evolução: a capacidade de se reinventar continuamente. Nunca se apegar ao passado. Não manter soluções apenas porque funcionam, se o mercado já exige o próximo nível. Ter coragem de reconstruir — mesmo quando tudo parece estar dando certo. Porque, no setor de tecnologia, parar de evoluir é o primeiro passo para se tornar irrelevante.

Essa mentalidade manteve a Astrein na liderança mesmo com o aumento da concorrência. Em 1987 surgiram os primeiros competidores. Em 1998, mais de 30 empresas disputavam o mesmo mercado. Ainda assim, a Astrein permaneceu como referência.


Uma história construída com consistência

A trajetória da Astrein é marcada por evolução contínua: de empresa de treinamento a desenvolvedora de software de manutenção; de software de manutenção a engenharia de materiais; e, posteriormente, a uma das principais referências nacionais em gestão de dados industriais.

Poucas empresas conseguem crescer dessa forma sem perder sua essência. A Astrein conseguiu porque sempre manteve um princípio claro: resolver problemas reais de forma simples, objetiva e sustentável. Criar soluções que economizam tempo, aumentam eficiência e permanecem relevantes ao longo dos anos.

Essa consistência se reflete em sua base de clientes. Muitos dos primeiros clientes permanecem até hoje — alguns com mais de 25 anos de relacionamento. Não por falta de alternativas, mas porque o valor entregue sempre foi claro, concreto e duradouro.

Mais do que tecnologia, a Astrein construiu confiança — e confiança, quando bem construída, atravessa décadas.



Outras notícias e conteúdos

Como a CH Master Data construiu o maior ecossistema de Gestão de Dados Mestres da América Latina

Como a CH Master Data construiu o maior ecossistema de Gestã...

Conheça como a CH Master Data Astrein foi construindo, produto a produto, desde a solução de saneamento de cadastros criada em 2001 ao maior ecossiste...

De um livro sobre computadores à maior empresa de Gestão de Dados Mestres da América Latina: a história de Tadeu Avellar

De um livro sobre computadores à maior empresa de Gestão de ...

Em 1996, Tadeu Avellar fundou a CH com uma missão que o mercado ainda não sabia que precisava. Conheça a história de persistência, propósito e inovaçã...

Cadeia de Suprimentos: Como a Padronização de Materiais Redefine Compras e Eficiência Operacional

Cadeia de Suprimentos: Como a Padronização de Materiais Rede...

Entenda como a padronização de materiais e o Golden Code estão transformando a cadeia de suprimentos, reduzindo custos e viabilizando compras colabora...

Quer receber um diagnóstico gratuito dos seus cadastros?

A análise gratuita dos seus cadastros identificará:

  • Qualidade das descrições

  • Riscos de erros fiscais

  • Duplicidades

  • Erros que causam os principais problemas nos seus processos

bottom of page